A gestação não é uma situação isolada dos outros momentos vividos pela mulher. A gravidez é um evento no ciclo de desenvolvimento humano relacionado a todas as outras etapas da vida da mulher. Faz parte de uma cadeia de ocorrências, situações ou experiências, ligadas entre si direta ou indiretamente, que denominamos de processo (ZAMPIERI, 2010d).
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As experiências que a mulher vivenciou no seu nascimento, de prazer ou traumática, as relações com os pais, em especial com a mãe, as transformações, as experiências e vivências na sua infância e na adolescência poderão repercutir na gravidez e na relação com seu filho intraútero e após o nascimento (ZAMPIERI, 2010d).
Para a mulher, este pode ser um momento de revisão de sua vida, um repensar direcionado para o futuro, um momento de reflexão sobre a condição de ser mulher, sobre as relações consigo, com os familiares e o companheiro (ZAMPIERI, 2010d).
É uma experiência única e individual para cada mulher, mas também uma experiência social, pois estende-se a um coletivo, mobilizando a atenção do meio onde essa está inserida e de uma forma mais ampla a sociedade.
A gestação pode ser um instrumento de utilidade, já que está ligada à vida e à sobrevivência humana, assegura não apenas a reprodução da espécie humana, mas também supre as necessidades do sistema social, ao fornecer elementos essenciais a sua manutenção.
É multidimensional, uma vez que envolve questões socioeconômicas, culturais, educacionais e espirituais, antecedentes gineco-obstétricos e depende da história pessoal, do momento histórico da gravidez, da aceitação dessa pela gestante e pelos familiares, do acesso e qualidade assistência pré-natal.
Quase sempre leva ao amadurecimento, mas pode levar a uma desagregação social. Do ponto de vista sociocultural, a gestação é um estado intermediário entre o status de ser mulher e o de ser mãe (ZUGAB; TEDESCO; QUAYLE, 1998). Para algumas mulheres pode ser uma forma para aumentarem o seu poder e seu prestígio no meio familiar ou um instrumento de contestação.
A gravidez é um fenômeno normal e natural, podendo ser encarada de forma saudável ou patológica. A concepção que a mulher tem em relação ao seu viver, sua saúde e gestação em função de suas crenças, valores culturais, nível socioeconômico vai determinar a compreensão de uma maneira ou outra. Para uma parcela de gestantes é encarada como uma situação patológica, reforçada pelos desconfortos característicos da gravidez e pela representação que os familiares têm desse momento (ZAMPIERI, 2010d).