Módulo 6: Saúde materna, neonatal e do lactente - Enfermagem na atenção à saúde materno-fetal: pré-natal
Unidade 1: Gravidez como um processo de preparação da mulher e da família

Atenção Pré-Concepção
A gravidez como um processo e suas influências na vida da mulher

A gravidez como um processo e suas influências na vida da mulher

A gestação não é uma situação isolada dos outros momentos vividos pela mulher. A gravidez é um evento no ciclo de desenvolvimento humano relacionado a todas as outras etapas da vida da mulher. Faz parte de uma cadeia de ocorrências, situações ou experiências, ligadas entre si direta ou indiretamente, que denominamos de processo (ZAMPIERI, 2010d).

Saiba Mais
Para conhecer melhor a gestação como um processo, consulte a obra indicada: ZAMPIERI, M. F. M. Gestação como Processo. In: ZAMPIERI, M. F. M.et al. Enfermagem na atenção primária à Saúde da mulher: textos fundamentais. 2. ed. Florianópolis: UFSC/NFR, 2010d, p. 218-228. (Série atenção Primária de Saúde. v. 2).

As experiências que a mulher vivenciou no seu nascimento, de prazer ou traumática, as relações com os pais, em especial com a mãe, as transformações, as experiências e vivências na sua infância e na adolescência poderão repercutir na gravidez e na relação com seu filho intraútero e após o nascimento (ZAMPIERI, 2010d).

Para a mulher, este pode ser um momento de revisão de sua vida, um repensar direcionado para o futuro, um momento de reflexão sobre a condição de ser mulher, sobre as relações consigo, com os familiares e o companheiro (ZAMPIERI, 2010d).

É uma experiência única e individual para cada mulher, mas também uma experiência social, pois estende-se a um coletivo, mobilizando a atenção do meio onde essa está inserida e de uma forma mais ampla a sociedade.

A gestação pode ser um instrumento de utilidade, já que está ligada à vida e à sobrevivência humana, assegura não apenas a reprodução da espécie humana, mas também supre as necessidades do sistema social, ao fornecer elementos essenciais a sua manutenção.

É multidimensional, uma vez que envolve questões socioeconômicas, culturais, educacionais e espirituais, antecedentes gineco-obstétricos e depende da história pessoal, do momento histórico da gravidez, da aceitação dessa pela gestante e pelos familiares, do acesso e qualidade assistência pré-natal.

Quase sempre leva ao amadurecimento, mas pode levar a uma desagregação social. Do ponto de vista sociocultural, a gestação é um estado intermediário entre o status de ser mulher e o de ser mãe (ZUGAB; TEDESCO; QUAYLE, 1998). Para algumas mulheres pode ser uma forma para aumentarem o seu poder e seu prestígio no meio familiar ou um instrumento de contestação.

A gravidez é um fenômeno normal e natural, podendo ser encarada de forma saudável ou patológica. A concepção que a mulher tem em relação ao seu viver, sua saúde e gestação em função de suas crenças, valores culturais, nível socioeconômico vai determinar a compreensão de uma maneira ou outra. Para uma parcela de gestantes é encarada como uma situação patológica, reforçada pelos desconfortos característicos da gravidez e pela representação que os familiares têm desse momento (ZAMPIERI, 2010d).