Este modelo conceitual em saúde apresenta uma nova forma de ver o processo saúde–doença. Tal forma tem sua origem na Europa, no século XIX, num movimento chamado de Medicina Social. Virchow, um dos médicos sociais (depois veio a ser conhecido também como patologista), afirmava que as pessoas adoecem e morrem em função do jeito com que vivem. E esse jeito de viver é determinado social, cultural e economicamente (caracterizando o contexto de aparecimento da doença).
Em 1848, Virchow elaborou, junto com Neumann, a Lei de Saúde Pública da Prússia, que diz que compete ao Estado a responsabilidade sobre a saúde das pessoas. Que esse deve promover a saúde e combater e tratar a doença para todos, ou seja, saúde é direito de todos, dever do Estado. Aliás, foi esse movimento que inspirou a nossa construção do SUS.

Virchow conseguiu, sem conhecer a bactéria nem antibióticos, terminar com a epidemia de febre tifóide na região da Silésia (Polônia) com a mudança da carga horária de trabalho, de 16 para 10 horas diárias, melhores condições de saneamento nas fábricas (abriu janelas), a proibição de trabalho para menores (de 4 a 12 anos), um maior salário (mais dinheiro para comprar comida para os filhos), uma alimentação adequada e a construção de casas populares próximas às fábricas.
Pense na sua prática de saúde e procure identificar se as diferentes características do modelo biomédico influenciam as ações desenvolvidas junto aos sujeitos, às famílias e à comunidade.
O Movimento de Medicina Social foi hegemônico na Europa entre 1830 e 1870, quando ascende a teoria pasteuriana unicausal. A partir daí, há um declínio, só persistindo residualmente em alguns países, como a Itália, até a Segunda Guerra Mundial.
No mundo, as ideias de determinação social foram retomadas por Henry Sigerist (1942) e Georges Canguilhem (1943-1968), mas ficaram restritas à área das ciências sociais, pouco modificando a tendência norte-americana do modelo unicausal (flexneriano).

Em 1942, Sigerist dizia que o médico tem quatro grandes tarefas: promover saúde, prevenir doenças, restabelecer o doente e reabilitá-lo. E que promover saúde era ter condições de vida, trabalho, educação, cultura física, distração e descanso, chamando políticos, sindicatos, indústrias, educadores e médicos para essa tarefa.
O modelo da determinação social da doença não nega a atenção individual quando necessária, mas ela é contextualizada numa relação entre cidadãos.
Para sintetizar essa discussão de qual modelo é mais apropriado à realidade atual, observe a seguir, as diferenças entre o modelo da determinação social e o modelo biomédico.

Verdi, Da Ros, Cutolo e Souza