Então, na lógica da teoria do conhecimento máximo, teremos que repensar como a tuberculose diminuiu, ou seja, para tratar individualmente ou prevenir a doença em determinada faixa etária, o diagnóstico, o remédio e a vacina são fundamentais, mas quando pensamos numa coletividade, aparecem outras variáveis que devem ser pensadas.

Nesse período, surgiram serviços públicos de saúde, melhores condições para a classe trabalhadora, com melhorias nas condições salariais/econômicas, habitações melhores, projetos de saneamento e urbanização, empoderamento das classes populares, ampliação da democracia; questões que significam a promoção da saúde e a prevenção de doenças, bem como a ampliação da qualidade de vida. Com esses dados, já podemos ver a realidade de outra maneira.
Portanto, a primeira maneira de ver/conceber o processo saúde–doença é definida como biomédica e a segunda, como modo de determinação social da doença, ou seja, esses são dois modelos conceituais em saúde.
Se for verdade que não podemos absolutizar a determinação social na hora de executar um tratamento individual, também é verdade que, se quisermos efetivamente ser profissionais de saúde, e não de doença, temos que começar a pensar de outro jeito, a ver as coisas de outra forma. A maneira biomédica nos foi imposta de tal modo e está tão incorporada ao nosso jeito de ver que nos sentimos desconfortáveis de pensar em mudar. Esse sentimento de incômodo é o que nos permite crescer na ciência; caso contrário, só repetiremos o I3 sem enxergar o B ou outros signos possíveis.
Temos então, bipolarmente no Quadro 1, dois modelos conceituais em saúde:

Isso significa que podemos e devemos, para além de nossas atividades e de nossa necessária educação/saúde, promover a saúde – o que humaniza o contato com os usuários, seja através da consulta ou outra ação de saúde, porque vai permitir saber, por exemplo, o modo de vida dos sujeitos com quem interagimos e de quem cuidamos.
Entretanto, antes de conhecermos melhor esses dois modelos, é importante registrar que o pensamento sobre o que é saúde e doença já se verificava há muitos séculos, antes mesmo das explicações científicas. Contando brevemente essa história, com base em Rosen (1994), podemos apontar alguns momentos importantes:

Verdi, Da Ros, Cutolo e Souza