Hipernatremia
É definida como uma concentração sérica de sódio maior que 145mEq/L. O sódio é o principal determinante da osmolaridade sérica e o mais importante cátion do ambiente extracelular (NIMMO et al., 2009; MARTINS; SCALABRINI NETO; VELASCO, 2005).
As principais causas da hipernatremia são (NIMMO et al., 2009; MARTINS; SCALABRINI NETO; VELASCO, 2005):
• Medicamentos: diuréticos de alça, lítio, anfotericina B, demeclociclina.
• Alterações eletrolíticas: hipercalcemia ou hipocalemia (causando diabetes insipidus nefrogênico adquirido).
• Hiperglicemia com diurese osmótica e perda de água.
• Doença renal intrínseca (perda de água livre).
• Fase poliúrica da necrose tubular aguda.
• Perdas pelo trato gastrointestinal (vômitos, diarreia, fístulas, sonda nasogástrica).
• Perdas pela pele (queimadura, sudorese excessiva).
• Diabetes insipidus central ou nefrogênico.
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Saiba Mais |
Manifestações Clínicas:
• Sede intensa
• Fraqueza muscular
• Convulsões
• Confusão mental
• Coma e morte
• Alterações osmóticas desencadeadas pela hipernatremia no SNC podem ocasionar ruptura vascular, sangramento cerebral, hemorragia subaracnóidea e sequelas neurológicas permanentes.
Na prática clínica, encontramos um paciente desidratado com quadro neurológico proporcional à osmolaridade: com 320 mOsm/L, ocorre confusão mental; com 340 mOsm/L, surge o coma e com 360 mOsm/L pode haver apneia (NIMMO, et al., 2009)
Tratamento
O tratamento da hipernatremia tem três objetivos conforme destacam Martins, Scalabrini Neto e Velasco (2005):
• Tratar a doença desencadeante.
• Evitar uma redução rápida do sódio para evitar lesões adicionais no SNC.
• Hidratar o paciente.
• Se o paciente estiver hipovolêmico, a prioridade é o soro fisiológico, até conseguir estabilização hemodinâmica.
• Após a estabilização hemodinâmica, deve-se trocar a reposição volêmica para soro hipotônico (0,45% ou 0,22%).
• A taxa máxima de redução do sódio sérico para evitar edema cerebral iatrogênico é: máximo de 0,5 a 1mEq/L/h; e máximo de 12 mEq em 24 horas.
• Deve-se sempre calcular a variação estimada de sódio com 1 L de qualquer solução a ser infundida.
Uma queda muito rápida no sódio pode ser mais grave do que a própria hipernatremia.
Intervenções de Enfermagem:
• Monitorar o quadro hemodinâmico.
• Puncionar veia calibrosa.
• Administrar volume.
• Avaliar o nível de consciência.
• Monitorar débito urinário.
• Fazer balanço hidroeletrolítico das 24 horas.
• Observar e comunicar presença de convulsão, vômito, diarreia e sudorese excessiva.
• Estar atento às queixas do paciente.
Dessa forma, suponhamos que você recebe um paciente, senhor LO, de 58 anos, na emergência com quadro de sudorese intensa e referindo fraqueza muscular. PA 120/80 mmHg e P: 86bpm. Por suspeitar-se de hipernatremia, o médico solicitou exames de eletrólitos e constatou que o sódio era de 158mEq/L, potássio 4,6 mEq/L. Seu peso era de 68 Kg. A partir de todos os cuidados de enfermagem realizados e o tratamento médico iniciado a meta era normalizar o sódio. Como foi feito isso?
Compreendido? Então dediquemo-nos agora, na próxima página, à hiponatrenia.