Os distúrbios eletrolíticos estão em uma lacuna de evidências e, muitas vezes os pacientes estão em risco iminente de morte e que necessitam de diagnóstico e tratamento. O diagnóstico mais usado é o laboratorial (hiper ou hipo), mas algumas vezes o tratamento dessas anormalidades pode ser iniciado antes de se conhecer o resultado do exame.
Distúrbios do potássio
Vamos inicialmente observar alguns aspectos da fisiopatologia do potássio?
Figura: Mecanismo de excreção e absorção de K pelos rins.
Fonte: http://www.medicinapratica.com.br/
Em média ingerimos entre 50 e 150mEq/L ao dia de potássio. Por outro lado excretamos pelo suor 16-18MEq/l; pelas fezes 5-10mEq/L e o restante pelos rins (NIMMO et al., 2009; MARTINS; SCALABRINI NETO; VELASCO, 2005).
Veja na animação a seguir como as alterações séricas são classificadas, de acordo com Nimmo et al. (2009); Martins, Scalabrini Neto e Velasco (2005).
Hipercalemia
Dentre os distúrbios encontrados na prática clínica, os relacionados ao potássio são muito frequentes e, muitas vezes, constituem-se em emergência clínica. A Hipercalemia pode causar a morte súbita sem sinais de alerta. Ela é definida como uma concentração sérica maior que 5mEq/L. Mais frequentemente ela ocorre devido à liberação de potássio das células ou à prejudicada excreção pelos rins. (NIMMO et al., 2009; MARTINS; SCALABRINI NETO; VELASCO, 2005).
Os sintomas incluem parestesias (alteração na sensibilidade), fraqueza muscular, formigamento e mal estar. Pode não haver sinais clínicos. Vamos então entender a Hipercalemia e compreender como prestar uma assistência segura ao paciente que apresenta esta alteração em ambientes de emergência na Rede de Atenção à Saúde. (NIMMO et al., 2009; MARTINS; SCALABRINI NETO; VELASCO, 2005).
O diagnóstico é feito pela identificação da elevação do potássio, o nível absoluto e a taxa de aumento são importantes. Um aumento abrupto de 2 mmol, por exemplo, a partir de 4 mEq/L para 6 mEq/L, pode causar arritmias, enquanto alguns pacientes com insuficiência renal crônica podem tolerar níveis mais elevados. Deve-se considerar o nível de 6mEq/L como potencialmente perigoso (NIMMO et al., 2009; MARTINS; SCALABRINI NETO; VELASCO, 2005).
As alterações no ECG podem fornecer a primeira pista para hipercalemia e a sua gravidade. O ECG pode ser normal na presença de hipercalemia perigosa.
Quais são as principais causas da hipercalemia?
Dentre as principais causas destacam-se (NIMMO et al., 2009; MARTINS; SCALABRINI NETO; VELASCO, 2005):
1. Excreção reduzida
• Falência renal.
• Fármacos como: diuréticos poupadores de potássio: espironolactona, triantereno, amilorida; inibidores da (ECA) Enzima de conversão da angiotensina e antagonistas da angiotensina II; anti-inflamatórios não hormonais.
• Hipoaldosteranismo: insuficiência adrenal
2. Alteração no potássio celular
• Os danos dos tecidos: rabdomiólise, trauma, queimaduras, hemólise, hemorragia interna
• Drogas: suxametônio, digoxina, beta-bloqueadores
• Acidose
• Outros: hiperosmolaridade, falta de insulina, paralisia periódica
3. Ingestão excessiva
4. Pseudohipercalemia
• Trombocitose, leucocitose.
• Hemólise: in vitro ou amostragem
• Análise tardia do paciente
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Ressaltamos que as principais alterações do ECG (Figura 1) na Hipercalemia são:
• Intervalo PR prolongado.
• Ondas T pontiagudas ou apiculadas (em forma de tenda).
• Alargamento do intervalo QRS e ausência ou achatamento das ondas P.
• Formação de onda sinusoidal.
• Fibrilação ventricular ou assistolia.
Figura: Alterações ECG na hipercalemia.
Fonte: http://ecgepm.com/2011/12/28/ecg-e-hipercalemia
Para entender melhor os ensinamentos, vamos analisar o seguinte caso:
Suponhamos que você recebe em sua unidade a paciente NFO, de 58 anos, lúcida, queixando-se de formigamento nos braços e mal estar geral. Você verifica a PA que se revela 160/90 mmHg. NFO relata que faz uso de Captopril 40mg há três anos. Logo após a verificação da PA você percebe que NFO apresenta-se subitamente sonolenta quase letárgica. Qual sua conduta neste caso?
Como principal conduta, você deve buscar a Estabilização Imediata. Quais os cuidados de enfermagem que fazem parte desta etapa?
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