A transferência do recém-nascido com sua mãe para o Alojamento conjunto ocorre quando o bebê encontra-se em condições clínicas favoráveis e com os sistemas estáveis.
É importante que você tenha em mente os objetivos do cuidado de enfermagem ao recém-nascido no Alojamento conjunto. Eles abordam:
É importante que os cuidados de enfermagem prestados ao recém-nascido estejam em consonância com a filosofia da instituição e com o Estatuto da Criança e do Adolescente. Além da base científica, o enfermeiro deverá utilizar a sensibilidade e a intuição. A utilização da metodologia da assistência de enfermagem preconizada pela instituição permite que se preste um cuidado sistematizado e individualizado.
Você sabe que cuidados devemos prestar diariamente ao neonato no Alojamento conjunto?
Os cuidados que devem ser prestados diariamente pela Enfermagem ao recém-nascido no Alojamento conjunto são os seguintes:
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Os recém-nascidos, devido a sua vulnerabilidade, estão mais suscetíveis às infecções, podendo ser infectados por várias vias, incluindo os profissionais de saúde e os materiais e equipamentos utilizados para o seu cuidado.
Desta forma, a prevenção e o controle das infecções neonatais se mostram como um desafio para a equipe de saúde envolvida nos cuidados aos neonatos. Quando está no útero materno, o feto encontra-se protegido da flora microbiana do trato genital materno. Após a ruptura das membranas, a colonização normal do neonato e da placenta começa a se estabelecer, sendo que os mesmos continuam sendo colonizados quando em contato com a mãe e com os ambientes inanimado e animado, até que se estabeleça a flora normal endógena neonatal. Os fatores que podem contribuir para a aquisição desta flora são: a flora genital materna, a alimentação do neonato, o pessoal em contato com o neonato e o ambiente (PINHATA; NASCIMENTO, 2001).
Segundo os autores Pinhata e Nascimento (2001), Monticelli e Oliveira (2011), o risco para infecção em recém-nascidos envolve fatores intrínsecos e extrínsecos, observe os detalhes de cada um a seguir:
Intrínsecos
Os sinais de infecção, embora inespecíficos, devem ser avaliados diariamente pela equipe de enfermagem, buscando garantir um cuidado individualizado e de qualidade. A enfermagem deve estar atenta para sinais como: retrações intercostais; gemidos expiratórios; alterações na frequência e no ritmo respiratório e circulatório; coloração cutânea pálida, cianosada ou marmórea; edema; perfusão periférica diminuída; hipo ou hipertermia; presença de vesículas ou pústulas; distensão abdominal; problemas com alimentação; vômitos; resíduos gástricos biliosos; hiperemia; alterações nas fezes como diarreia, diminuição do número de evacuações ou presença de sangue oculto; irritabilidade; letargia; hipo ou hipertonia; tremores; convulsões; depressão ou abaulamento das fontanelas, entre outros.
Veja na animação a seguir mais alguns cuidados:
Outro cuidado de grande importância que deve ser realizado diariamente no Alojamento conjunto é a pesagem do neonato, que deve ser aferida com o recém-nascido sem roupa, em balança digital protegida, previamente desinfetada e tarada. Os bebês a termo perdem cerca de 10% do seu peso de nascimento nos primeiros dias após o nascimento (mais ou menos até o quarto dia) recuperando-o em torno do décimo ou décimo quinto dia de vida. Esta perda ocorre devido à diminuição de fluidos corporais, à eliminação de mecônio e urina e à pequena ingesta de alimentos logo após o nascimento, obrigando o neonato a utilizar suas próprias reservas energéticas.
É importante orientar os familiares sobre a perda ponderal fisiológica, evitando desta forma o desmame precoce, pois, muitas vezes, eles podem considerar que o bebê está perdendo peso porque a amamentação não está sendo eficiente.
Em relação às eliminações, é importante observar a presença de regurgitações e vômitos, bem como se o bebê está urinando e evacuando normalmente. Os bebês amamentados ao peito evacuam em torno de duas a dez vezes por dia, enquanto os bebês que são alimentados por fórmula apresentam em média uma evacuação por dia. As primeiras fezes, eliminadas dentro das 48 horas após o nascimento, denominadas de mecônio, são pegajosas, intensamente coradas pela bile e consideradas estéreis. Entre o término da eliminação meconial e da eliminação permanente, encontramos as fezes de transição, que são amarronzadas e geralmente aparecem em torno do 2o dia de vida. As fezes permanentes ou lácteas são produto específico da degradação do leite ingerido pelo recém-nascido e apresentam-se amareladas e fétidas, sendo eliminadas de duas a cinco vezes por dia (MONTICELLI, 2011). A ausência de eliminação meconial nas primeiras 48 horas de vida sugere malformação anal ou intestinal (KENNER, 2001).
A eliminação urinária, logo após o nascimento, é escassa, porém, dentro de poucos dias, torna-se abundante, sendo que o neonato urina várias vezes por dia. A urina do recém-nascido é clara e de baixa densidade, no entanto, devido à imaturidade renal (filtração glomerular deficiente) pode apresentar cristais de urato, que dão uma cor avermelhada à urina (KENNER, 2001). Este fato, do ponto de vista clínico, não merece atenção específica. No entanto, os familiares devem ser orientados sobre a imaturidade renal, pois muitas vezes mostram-se ansiosos e preocupados.
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Ainda em relação às eliminações, nós devemos estar atentos à presença de regurgitações ou vômitos. Para Monticelli (2011), a regurgitação é a expulsão sem esforço do conteúdo gástrico ou esofágico pela boca, enquanto o vômito caracteriza-se por expulsão violenta e forçada do conteúdo estomacal acompanhado de contração do diafragma e da musculatura abdominal.
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Na página a seguir, abordaremos mais cuidados relativos ao neonato.