Você também irá refletir e identificar a clínica das psicopatologias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS) para contribuir na prática deste acolhimento e cuidado.
Os conhecimentos e ações de saúde e de saúde mental no campo da saúde coletiva são construídos a partir da relação entre a epidemiologia, planejamento e gestão, e as ciências sociais e humanas em saúde (PAIM; ALMEIDA FILHO, 1998).
É comum situações de conflitos psíquicos desencadearem sofrimento humano, mas há momentos em que esse sofrimento torna-se patológico, e o cuidado profissional faz-se necessário. Logo, a passagem de um sofrimento para um diagnóstico em saúde mental ou psiquiátrico depende de fatores culturais, metodológicos, de critérios científicos e da subjetividade do profissional da saúde mental.
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O Relatório Mundial da Saúde (OMS, 2001) estima que uma em cada quatro pessoas será afetada por um transtorno mental em alguma fase de sua vida até 2020. Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2005), no Brasil, 3% da população em geral sofrem com transtornos mentais severos e persistentes, 6% apresentam transtornos mentais graves decorrentes do uso abusivo de álcool e outras drogas, e 12% da população necessitam de algum atendimento em saúde mental contínuo ou eventual.
Desviat e Moreno (2012) calculam que quatrocentos e cinquenta milhões de pessoas sofram de transtornos mentais em países desenvolvidos ou não. Os problemas de saúde mental constituem cinco das dez principais causas de incapacidades no mundo. Dentre os transtornos que se destacam estão a depressão, o abuso de substância, a esquizofrenia e as demências. Os impactos desses transtornos são vistos nos anos de vida perdidos por incapacidades e são superiores ao câncer e às doenças cardiovasculares.
Estudos epidemiológicos realizados em diferentes partes do mundo têm identificado a magnitude e natureza dos transtornos mentais atendidos na clínica geral. As pesquisas identificaram maior frequência de transtornos mentais do que os clínicos haviam reconhecido em sua prática. Outro aspecto importante é a alta prevalência e associação entre os transtornos mentais e as doenças físicas (MARI et al., 2002).
Embora os índices de transtornos mentais e comportamentais configurem problemas de saúde pública, segundo a OMS (2001), aproximadamente 40% dos países não possuem políticas de saúde mental, e em mais de 30% dos países os programas nessa esfera são inexistentes. No Brasil, as estratégias adotadas para garantir o cuidado em saúde mental são a ampliação do acesso e a melhoria da qualidade dos serviços das Redes de Atenção à Saúde do Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2012). Dentro dessas redes, contamos também com a Rede de Atenção Psicossocial. Assim, faz-se necessário que a formação profissional responda às distintas demandas em saúde mental apresentadas pelos usuários, prestando cuidados que acolham, sejam permanentes, de qualidade e rotineiramente avaliados.
É importante neste contexto estudar a clínica das psicopatologias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS). Acompanhe na animação a seguir:
Na perspectiva histórica, a classificação de sinais, sintomas e síndromes parte do alienismo de Pinel, através do tratado médico-filosófico das alienações mentais. Esquirol reforçou o pensamento de Pinel ao diagnosticar a loucura como enfermidade única. Falret relaciona os diagnósticos psiquiátricos à biologia. Kraepelin cunha as categorias diagnósticas como nosologia médica. A partir da fenomenologia e da subjetividade na psicanálise, afirma-se que o séc. XIX foi o da clínica e o séc. XX foi o das psicopatologias. O aparecimento da Psicopatologia como disciplina organizada se dá com a publicação da obra Psicopatologia geral, de Karl Jaspers, psiquiatra e filósofo, no início do século XX. Jaspers visava à descrição e classificação das doenças mentais (DESVIAT; MORENO, 2012).
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Atualmente, o termo psicopatologia encontra-se associado a disciplinas que estudam o sofrimento psíquico. Isso traz um problema de diálogo entre as disciplinas científicas, pois elas possuem diferentes abordagens teóricas e modelos de ação, o que aponta que o fenômeno psíquico é irredutível a uma exclusividade discursiva (CECCARELLI, 2005).
O desenvolvimento clínico-psicopatológico é influenciado por três correntes: a psiquiatria francesa (Pinel, Esquirol, Falret e outros), a psiquiatria alemã (Kraepelin, Bleuler, Freud e outros) e a psiquiatria estado-unidense - a psiquiatria das classificações, que atualmente é a dominante (DESVIAT; MORENO, 2012). No campo da Reforma Psiquiátrica, encontramos pelo menos três tipos de vertentes em psicopatologia:
a) descritiva, baseada na semiologia e/ou observação de sinais e sintomas através do exame do estado mental;
b) estrutural, baseada na psicanálise, com as neuroses, psicoses e perversões;
c) fenomenológica, fundamentada na valorização da narrativa das pessoas que experienciam o sofrimento.
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Refletir sobre a prática da atenção e acolhimento ao atendimento na área psicossocial é dever de todos nós!